Felipe Mello é mais uma vítima da cultura futebolística do Brasil em arranjar um culpado para os fracassos em Copas do Mundo desde 1950, quando perdemos em casa para o Uruguay e o goleiro Barbosa inaugurou a extensa listas de atletas e treinador amaldiçoados pela torcida brasileira.
BARBOSA
goleiro
BRASIL 1950: O Brasil jogava a final pelo empate contra o Uruguay até que nos ultimos minutos o atacante Ghigia chutou entre a trave e o goleiro brasileiro e calou o Maracanã: 2X1 para a Celeste Olímpica e a torcida, decepcionada culpou o goleiro.
ZAGALLO
Técnico
ALEMANHA, 1974: O velho lobo estava com moral depois de ser campeão em 1958 na Suécia, como jogador, e em 1970 no México, como treinador. Talvez por isso tenha resolvido apostar no ufanismo e ignorar o carrossel holandês do genial Cruyff ao usar a frase "eles é que devem temer a nossa amarelinha". Todos respeitavam e admiravam o futebol holandês, menos o treinador brasileiro que sequer assistiu uma partida ou um video do adversário. Resultado: 2X0, e voltamos pra casa mais cedo.
PERU
seleção de futebol
ARGENTINA, 1978: O Brasil foi perfeito e terminou invicto, mas sem a taça. Não perdemos um jogo, mas fomos eliminados graças a uma estranha goleada de 6X1 dos donos da casa sobre o Peru. Na ausência de um jogador, pra não perder a mania, torcedores e imprensa acusaram a Federação Peruana de Futebol de ter vendido o jogo pra os 'hermanos", que acabaram vencendo sua primeira copa nesse ano.
TONINHO CEREZZO
volante
ESPANHA, 1982: Aquela seleção, que apresentou ao mundo o futebol-arte, ficou no meio do caminho numa tarde fatídica conhecida como a"Tragédia do Sarriá". Perdemos, mesmo jogando pelo empate, para uma desacreditada Itália por 3X2. Cerezo, que disputava seu segundo mundial, foi eleito o imperfeito de uma seleção perfeita ao cruzar uma bola na nossa defesa e pegar nossos zagueiros dormindo. O oportunista Paolo Rossi mandou a bola na rede e a gente pra casa.
ZICO
armador
MÉXICO, 1986: Pela primeira vez a seleção brasileira repetia um técnico derrotado na copa anterior. Telê Santana tinha a missão de recomeçar de onde paramos, afinal nossa ultima conquista havia sido em solo mexicano. O Brasil havia vencido todos os adversários até chegar ás quartas-de-final contra a França. Nesse jogo, Zico foi do céu ao inferno. Céu, porque entrou no segundo tempo quando o placar estava 1X1 e deu o passe para o lateral Branco entrar na área e sofrer pênalti. Aí conheceu o inferno. Perdeu a cobrança e fomos derrotados ironicamente também nos penaltis
DUNGA, volante
ITÁLIA, 1990: A seleção formada por Sebastião Lazzaroni era ruim, considerada a pior dos ultimos tempos.Ainda assim conseguimos passar da primeira fase. Na segunda, fomos eliminados pela Argentina por 1x0, gol do cabeludo Claudio Cannigia, numa total desatenção de nossa defesa. Mesmo ele não tendo participação direta no lance, seu nome foi usado para definir uma geração derrotada: a Era Dunga.
RONALDO
atacante
FRANÇA, 1998: O Brasil era favoritíssimo, apesar de Zagallo. Era o atual campeão do mundo e tinha Ronaldo, o melhor do mundo. Cheio de altos e baixos na primeira fase, decisão por pênaltis na semifinal contra a Holanda, nosso time chegou á final contra os donos da casa. Na véspera, Ronaldo teve uma convulsão e durante o jogo desmaiou em campo e o time desestabilizou. Os franceses, que não tinham nada haver com isso, meteram 3x0 e o sonho do penta foi adiado. Rumores de um possivel acordo entre as federações para o Brasil entregar o jogo para os franceses em troca de apoio para sediar a Copa de 2006 chegaram a circular pela imprensa, mas o certo é que Ronaldo amarelou na final e voltamos sem a taça.
ROBERTO CARLOS
lateral
ALEMANHA, 2006: Era uma seleção estrelada, favoritíssima, dava show até nos treinamentos. Muitos recordes em jogo e muita bagunça na concentração. Mas o povo brasiileiro resolveu eleger o meião de Roberto Carlos como o pivô da eliminação. Na partida de quartas -de- final contra a França, o time jogou mal, como em toda a copa, mas o gol de cabeça de Thiery Henry que eliminou o Brasil por 1x0 conicidiu com uma ajeitadinha de meião do lateral brasileiro dentro da grande área. Mesmo ele não sendo o marcador do atacante francês, foi condenado pelo júri popular como principal responsável pelo adiamento do hexa.
FELIPE MELLO
volante
ÁFRICA, 2010: Tão ficiente no desarme e na articulação quanto violento e temperamental, ele é a bola da vez da torcida e imprensa brasileira. Deu até pra esquecerem do técnico Dunga, ou do passe genial que o próprio Felipe deu para Robinho abrir o placar do jogo em que o Brasil acabou eliminado pela Holanda por 2x1 e ele, como Zico em 1986, conheceu numa mesma partida o céu e o inferno, ao provocar sua expulsão quando o jogo estava empatado no segundo tempo. Ignorando a apatia de todo o time mesmo antes de sua expulsão e da saída desastrada do goleiro Júlio César no episódio do gol de empate holandês, a torcida preferiu culpar o volante. Pesou na sua condenação mais os antecedentes que o episódio da eliminação do Brasil.








