segunda-feira, 7 de junho de 2010

Botafoguense ilustre


"PARECE QUE SEMPRE REMAREMOS CONTRA A MARÉ"

Posso dizer que sou alvinegro de familia. Mas por parte de mãe. Meu pai se dizia rubro-negro, mas nunca o vi com uma bola no pé. Já minha mãe, sim, ela gostava de futebol. Entendia, era botafoguense. Alvinegra de Minas Gerais, terra onde quase todos são alvinegros.
Eu passava minhas férias de criança lá e era envolvido por aquela atmosfera mágica da minha época, quando Garrincha, Nilton Santos, Jairzinho, enfim, os melhores jogadores do mundo eram do meu time e, quando emprestados á Seleção, davam títulos ao país. Eu ficava fascinado ao ver meus ídolos com a Amarelinha brilhando nas Copas do Mundo. Porém, as duas décadas sem titulos não foram fáceis. Nos anos 70, então, quase achei que ia virar Fluminense, cheguei a balançar por conta da Máquina Tricolor. Só que nasci com sangue alvinegro; jamais troquei de clube. Aquela época de vacas magras foi doída demais. Contudo, como se fosse um reflexo das equipes que hoje caem, a paixão crescia e eu ia cada vez mais aos jogos, algo inexplicável que só nós, alvinegros, sabemos o que era.
Só que em 2009 fiquei meio desgostoso. A final do Carioca, em que Maicosuel driblou Juan e tomou uma gravata...Aquilo foi o cúmulo. Era para o jogador do Flamengo ter sido expulso. Foi triste ver nossa torcida em menor número acreditando o tempo todo, com o time chegando a empatar um jogo perdido, mas sair cabisbaixa, derrotada nos pênaltis.
Parece que estamos sempre remando contra a maré. Foi assim também no Brasileiro. Estamos sempre tentando superar as derrotas, e superamos. Vide o ultimo Estadual.

por Marcelo Antony ( ator )
para Revista esportiva O LANCE

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