
Festa tradicional da cultura amapaense, o Marabaixo começa com a cortada ou tirada do mastro, feito de uma árvore chamada pau-espírito-santo, que está em extinção mesmo na comunidade. Ele é tão valioso que sua casca é medicinal, mas ao extraí-la a árvore fica danificada, sujeita á morte.
O mastro é colocado no local onde vai ser realizado o Marabaixo ( sede, casa ou barracão). Na tarde do festejo, uma multidão de todas as faixas etárias se dirige a uma mata para quebrar os galhos de muteiras, uma árvore que até bem pouco tempo era sagrada. As rameiras enfeitam o mastro. É uma grande alegria por parte dos brincantes que vão de cavalo, bicicleta e de pés. Os tocadores de caixas em número de dois ou três são acompanhados pelos cantadores de ladrão, apropriados ao momento. Numa atmosfera de alegria ao som tom forte do toque apoiado pelo canto, fogos e bebidas faz com que todos cantem e gritem. É muito comum cantarem o "ladrão" ( Canto de Marabaixo e Batuque)Carioca, que inicia da seguinte maneira:
" O peixe assado, ele cheira uma flor, olê, olê, olá" (REFRÃO)
As rameiras são enroladas no pau que se transforma em mastro enfeitado, firmando em cima uma bandeira com imagens de Santa Maria, Mãe de jesus ou de outros santos que por ventura estejam sendo festejados.
No salão, homens e mulheres, uns tocando, outros dançando vão rodopiando cantando ladrões longos ou curtos até o momento de uma pausa para apertar a caixa ou começar outro ladrão. E assim vão até o amanhecer.
FONTE:Curiaú, a resistência de um povo
AUTOR: Sebastiao Menezes da Silva
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